CRÔNICA: O ENIGMA DA PRAÇA OTTO LANDA

30/07/2017

Em que pese toda a polêmica que se formou em torno da praça denominada jocosamente de "Jardim Sem Flor", o fato é que isto tem dividido opiniões e chegado a situações extremas, como uma curiosa conversa entre dois antigos amigos, de longas datas, que se encontram casualmente em uma via pública da cidade onde ambos nasceram e cujo teor passamos a descrever.

- E aí, camarada? Tudo bem? - Pergunta o amigo que trabalha na prefeitura.

- Tudo bem! E aí? Como vai o prefeito da cidade? - Pergunta o outro amigo que é um militante da cultura.

- O prefeito vai bem, fazendo o dever de casa - responde o servidor.

- E a Praça? O que você acha disso? - Pergunta o militante sem mais rodeios.

- Bem... - começa o servidor a responder reticenciosamente - segundo o prefeito, se não conseguir outro local, a delegacia será construída na praça mesmo. O que não podemos é perder para outra cidade.

- Nunca! A praça é nossa. - Responde já exaltado o militante da cultura.

- Moço, pensa bem... - pondera o servidor com alguma cautela - não é razoável que tenhamos que percorrer quilômetros para tirarmos uma carteira de identidade, sem falar em outros serviços importantes que são oferecidos pela Polícia Civil.

- Jamais! Tem outros lugares para construir a delegacia - retruca o militante já espumando pelos cantos da boca.

- Outros lugares têm, mas é preciso que esteja dentro das especificações exigidas para construir a delegacia. O único local encontrado até agora custaria um milhão e duzentos mil reais para a Prefeitura. Além do mais, aquela praça está ociosa. Não seria razoável pagar um valor tão alto, dinheiro que, acredito eu, a prefeitura não dispõe.

- Pois te digo uma coisa: - vaticinou o militante - se começarem a construir a delegacia (na praça) tenho um grupo de 50 pessoas que iremos tacar fogo em tudo, aí eu quero ver.

- Olha, - diz o servidor conhecedor das leis - te digo que este será um crime praticado em concurso de pessoas e serão todos punidos da mesma forma. A quantidade de pessoas não desconfigura a prática criminosa. Serão todos presos.

- Pois vou te mandar a real: o Prefeito está correndo risco de vida - diz em tom ameaçador o militante cultural. E arremata: - E quem estiver do lado dele também corre.

E se afasta a passos largos e semblante enigmático...

Chupa essa manga!